O que é design? Uma visão além do “design bonitinho”

Você sabe o que é design? As percepções em torno do termo são tão amplas, que fica até difícil explicar o que é design. Do gráfico ao digital, passado pelo industrial, o termo design tem sido muito associado à estética. Mas ele vai além. Para nós, do Tellus, a essência do design é resolver problemas com enfoque nas pessoas. E é exatamente isso, resolver problemas.

Para entender melhor, precisamos olhar para a etimologia da palavra. Em inglês, a palavra “design” é usada tanto como substantivo, quanto verbo. E, longe do que alguns pensam, a tradução do termo está mais próxima de “conceber um projeto”, do que “desenhar, criar algo visual”. Ou seja, design é projetar algo e projetar algo, segundo o dicionário, é o “planejamento que se faz com a intenção de realizar ou desenvolver alguma coisa.”

No livro “Textos Recentes e escritos históricos”, uma coletânea de pequenos textos sobre o universo do design, o autor usa o texto “Design ou designs?” para mostrar um pouco mais sobre o que falamos nos parágrafos acima. Mas o que gostaríamos de destacar no texto é o modo como ele define o design: “um segmento profissional que se dedica à definição de uma melhor qualidade de vida a todo ser humano, independente de sua condição econômica, raça , religião, e permitindo o acesso ao consumo de bens materiais convenientes e necessários.”

“(o design é) um segmento profissional que se dedica à definição de uma melhor qualidade de vida a todo ser humano”

O autor em questão é Alexandre Wollner, inspiração dos designers brasileiros, autor de inúmeros textos e trabalhos emblemáticos. Uma referência do mercado. Wollner fundou a Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), no Rio de Janeiro, e estudou na Escola de Ulm (Hfg–Ulm), baseada na cidade de homônima, na Alemanha, com o objetivo de promover os princípios do Bauhaus, movimento criado pela Staatliches-Bauhaus, escola de design, artes plásticas e arquitetura alemã, considerada por muitos a primeira escola de design do mundo. Esse breve resumo sobre Wollner, Ulm e Bauhaus se faz necessário para entendermos algumas ligações e visões.

Tanto Bauhaus, quanto Ulm, estão muito ligadas à produção industrial e arquitetura. Quando surgiu o primeiro curso superior de design no Brasil, durante a década de 50, era proibido o uso de palavras estrangeiras para designar cursos em universidades nacionais. Por isso, a ESDI adota a expressão “desenho industrial.” No entanto, é possível perceber que, tanto seu fundador, quanto suas referências do passado (Ulm e Bauhaus) veem o design como algo muito além do desenho, seja ele industrial ou não.

Voltando a citação de Wollner somada à nossa visão, o design deve ser visto como uma ferramenta para impacto social, muito antes dos termos virarem moda. Wollner, falecido em maio de 2018, via o design como um elemento transformador da qualidade de vida do ser humano. Nós, vemos o como um solucionador de problemas. Duas definições, mas a mesma essência.

Por fim, achamos válido adicionar duas questões nessa discussão sobre o que é design. A primeira é sobre inovação. É comum confundirmos design e inovação, muito pela confusão de achar que design é a execução e inovação a metodologia. Aqui no Tellus, vemos a inovação como a necessidade e/ou oportunidade de resolver problemas, onde existem problemas técnicos ou problemas complexos. Para a resolução desses problemas, utilizamos as abordagens do Design Thinking e do Design de Serviços, caminhos utilizados para se chegar na inovação.

A segunda questão é, agora que já entendemos o que é design, como podemos olhar para o futuro? Quem são os designers do futuro e como o design se encaixa em um mundo com problemas complexos, comunidades dando espaço para megacidades e crescimento sustentável? Para responder parte destes anseios, trazemos como exemplo o African Design Centre, iniciativa que visa construir uma rede de arquitetos que possam ajudar as cidades em ascensão da África, de forma sustentável e igualitária. Abaixo você confere o TED “A próxima geração de arquitetos e designers africanos”, por Christian Benimana.