O projeto Engajamento Digital na Saúde é uma iniciativa no âmbito da inovação na saúde, que foi desenvolvido pela equipe do Instituto Tellus em parceria com a Prefeitura de Cotia e que teve como financiadores o Roche e o Instituto Betty & Jacob Lafer.
Tudo começou a partir do resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto Tellus e o Plano CDE sobre a saúde pública do Município de São Paulo. O objetivo do estudo foi avaliar a percepção da qualidade da Atenção Primária do ponto de vista do cidadão que utiliza esse serviço.
A primeira fase da pesquisa identificou três momentos críticos apontados pelos usuários das Unidades Básicas de Saúde (UBSs):
Baseado nesses três fatores críticos apontados pela pesquisa, foi criado o projeto de Engajamento Digital na Saúde. O desafio que direcionou o projeto de design de serviços públicos e inovação na saúde foi responder à pergunta: “como podemos cocriar e implementar um projeto inovador e de impacto para a atenção básica à saúde a partir de novas metodologias de atendimento e da inserção de tecnologias em uma UBS?”.
No entanto, entendemos que, para fazer uso da tecnologia dentro das UBSs, seria necessário escolher um município que já tivesse uma infraestrutura tecnológica mínima para absorver o projeto.
Dessa forma, o município de Cotia foi escolhido para a implementação, uma vez que cumpria diversos pré-requisitos. A região possui 25 Unidades Básicas de Saúde e, dentre elas, em um primeiro momento, três foram escolhidas como piloto da implementação do projeto.
De acordo com Ana Carolina Netto, PMO do Instituto Tellus, a importância do Engajamento Digital na Saúde acontece porque “a maior parte da população brasileira utiliza o SUS. E só temos benefícios por ter uma UBS com o fluxo de trabalho claro e ágil, profissionais motivados e capacitados, tecnologia operando em prol do atendimento de qualidade e um ambiente humanizado e agradável”, explicou.
Segundo Ana Carolina, “estas características contribuem com o empenho efetivo de recursos públicos, reduzindo ou anulando filas de espera e garantindo processos preventivos de saúde que aumentam a qualidade de vida das pessoas e reduzem o gasto com tratamentos que podem ser mitigados desde os primeiros sintomas”, completa.
Na etapa de diagnóstico da iniciativa de inovação na saúde, foram realizadas 16 visitas nas três UBSs selecionadas e em outros serviços de saúde de Cotia, a fim de compreender como funciona o sistema.
A partir dessas primeiras visitas, observou-se que a infraestrutura tecnológica das UBSs estava defasada para receber o aporte tecnológico que viria com a implementação do projeto.
“Nesse primeiro diagnóstico, pensamos: se o nosso viés é trazer tecnologia para solucionar alguns problemas, precisamos nos aprofundar nos sistemas de saúde que estão conectados, em quais são suas integrações com outras unidades, como a atenção básica se comunica com os médicos, com os especialistas fora da UBS, com as outras unidades que fazem exames mais complexos, e em como tudo se encaixa em relação à enfermagem, à coordenação médica etc”, explica Marco Antônio, líder do projeto no Instituto Tellus.
Na fase de exploração, foram realizados diálogos com todos os atores que permeiam o universo das UBSs do projeto de inovação na saúde. Além disso, a equipe se aprofundou nos dados do sistema de saúde de Cotia, como, por exemplo, taxa de absenteísmo (ausências nas consultas), identificação do público-alvo de cada unidade, números dos atendimentos realizados, vagas disponibilizadas, solicitação de agendamento e horas médicas disponíveis.
Nessa etapa, concluiu-se que uma solução de tecnologia de forma isolada não resolveria todos os problemas levantados. Era preciso implementar outras soluções que dessem suporte às implementações tecnológicas.
Além disso, ao levantar as necessidades das três UBSs escolhidas, foi observado que para realizar um projeto que efetivamente resolvesse os problemas seria necessário concentrar os esforços em uma única unidade. Dessa forma, optou-se pela UBS Portão, que mais representava o padrão das UBSs do município. Assim, posteriormente, ela poderá servir de modelo de replicação nas outras unidades da cidade.
Durante a cocriação, o desafio do projeto tornou-se mais claro e foi redefinido: “como podemos melhorar o processo de solicitação de consulta pelo cidadão, desde o momento do pedido até o início da consulta, para que seja o mais prático, rápido e humanizado possível?”.
Para isso, foram realizadas diversas oficinas com servidores e usuários da UBS Portão com a intenção de levantar quais eram os principais problemas enfrentados por eles e quais seriam as possíveis soluções a serem implementadas.
Ainda, foi realizada uma oficina de cocriação com as autoridades e os demais trabalhadores da área da saúde de Cotia, além da construção de indicadores e da realização de pesquisas com 70 usuários da UBS para identificar o nível de satisfação com os serviços e os seus perfis de uso de tecnologia. Por fim, foram propostas 29 soluções, divididas em quatro categorias: Tecnologia, Recursos Humanos, Processos e Sinalização/Espaço.
De acordo com Ana Carolina, “o maior desafio do projeto foi viabilizar a implementação de soluções tecnológicas tendo a unidade sempre em pleno funcionamento. Para suplantar essa questão, pudemos contar com a parceria dos secretários municipais envolvidos e suas equipes, além dos profissionais que atuam diariamente na UBS Portão”.
Das 29 soluções levantadas na fase de cocriação, 19 já começaram a ser implementadas.
Quanto à categoria Sinalização/Espaço, ainda estão sendo implementadas soluções, como painel com horários e calendários da UBS, painel explicativo com o sistema de saúde do município, espaço kids e placas de sinalização.
Segundo o líder do projeto de inovação na saúde, em dias de intensa movimentação chegam a circular cerca de 400 pessoas na UBS Portão, e a somatória dessas diversas soluções implementadas ajudam de forma significativa na melhoria da prestação dos serviços e na experiência dessas centenas de usuários que frequentam o local diariamente.
Como próximos passos do projeto, teremos a replicabilidade do modelo criado, o engajamento perene dos profissionais envolvidos diretamente e indiretamente e a divulgação em âmbito municipal das soluções, para que assim sejam geradas as condições de ampliação das conquistas deste projeto para todos os munícipes que utilizam o serviço público de saúde.
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