Roda Viva com Yuval Harari, uma visão do futuro da humanidade

Qual o maior capital no mundo? Petróleo? Ouro? Na visão do professor e escritor Yuval Noah Harari, o maior capital são os dados. Nas palavras dele, “antigamente o maior capital eram as terras (…), depois vieram as fábricas. Quem controlava as fábricas, controlava tudo. Agora temos os dados.” E, se considerarmos os dados um capital, precisamos considerar o seu impacto político.

A diferença entre os commodities anteriores e o novo capital, é que, segundo Harari, ele incentiva o monopólio e isso dificulta os impactos no cenário geral, seja econômico ou social. Imagine que uma empresa X acumula os dados médicos de 1 bilhão de pessoas, com isso, suas análises tornam-se mais certeiras. Já a empresa Y, acumula “apenas” 10 milhões de dados. Quem você prefere para fazer projeções sobre a sua saúde?

No entanto, muito poder nas mãos de um único jogador, pode acabar com todo o jogo. Por isso, segundo Harari, o gestor público precisa entender as novas tecnologias para que, assim, possam regulamentar empresas e suas atividades. Ainda segundo o escritor, a responsabilidade de regulamentar alguns cenários não está nas mãos das empresas, mas nas mãos do gestor público e da sociedade que o elegeu (direta ou indiretamente).

Em 11 de novembro de 2019, Harari participou do programa Roda Viva, da TV Cultura, e discutiu temas sobre gestão pública, educação e cenários futuros da nossa sociedade. A entrevista completa você confere abaixo, mas o Tellus traz alguns pontos importantes da discussão, que contou com a participação de jornalistas e pesquisadores.

No cenário de políticas públicas, Harari afirma que existem 3 políticas públicas importantes para o futuro próximo: a regulamentação de tecnologias perigosas (ex: Inteligência artificial para segurança, como já falamos anteriormente), educação e a confiança e cooperação global (ex: diplomacia).

As tecnologias “perigosas”: Inteligência artificial nas mãos erradas

Durante o Roda Viva, Yuval Harari sinalizou a importância de se regulamentar a inteligência artificial quando usada no setor de vigilância. Muito mais do que combater a violência, a nova forma de vigilância pode-se transformar em ferramentas de controle social. Seja por parte de um governo autoritário ou por uma empresa de grande porte sem escrúpulos, a inteligência artificial pode se transformar numa arma perigosa, dependendo dos dados que consegue captar ou processar.

Educação: Precisamos sempre nos reinventar

No campo da educação, Harari aponta para uma das maiores virtudes do ser humano: a adaptação. Segundo Darwin, os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência do que os menos adaptados; e é exatamente isso que precisaremos fazer constantemente. Com o aumento da expectativa de vida e as novas formas de trabalho, principalmente aquelas impactadas pela aplicação de sistemas com inteligência artificial, a sociedade precisará que a sua mão-de-obra seja constantemente reeducada. Deixaremos de aprender uma única profissão para toda a vida e mudaremos de atuação no decorrer da nossa carreira profissional. Muito mais do que apenas se reinventar, Yuval Harari afirma que precisaremos seguir aprendendo constantemente.

Mas o autor faz um alerta, conforme envelhecemos, o estresse da mudança é sempre maior e aprender uma nova profissão com 50 anos é bem diferente de aprender uma com 20. Isso fará com que os nossos setores de educação precisem ser revistos e terão grandes impactos em países subdesenvolvidos, visto que eles terão menos poder (seja aquisitivo ou de estrutura) para suportar essas mudanças.

Diplomacia: Uma política pública essencial para o futuro

Por fim, Yuval Harari afirma que questões importantes precisarão de ajuda coordenada, ou seja, um país ou uma cidade não conseguirá resolver seus problemas sem ajuda externa. Apesar de não citar explicitamente, Harari sinaliza as questões ambientais. Precisaremos estruturar uma confiança e cooperação global para solucionarmos problemas que afetam todo o planeta. Harari afirma que o nacionalismo precisa ser um pensamento de “como posso ajudar o meu compatriota, e não ‘como posso excluir aquele que é diferente’.”