As contínuas revoluções no universo das tecnologias digitais também estão mudando constantemente as opções de como os governos podem ser organizados. Com novas ferramentas, que vão desde sensores de IoT, passando por sistemas de inteligência artificial em atendimentos, até plataformas de crowdsourcing, isso acontece porque todos os governos dependem de sistemas operacionais – uma mistura de técnicas, processos e tecnologias – que colaboram nas realizações de suas tarefas, desde a coleta de impostos até a busca de criminosos, a educação de crianças e a construção de estradas.

No entanto, para funcionar bem, os governos precisam observar, avaliar, planejar, imaginar, lembrar e julgar e, em todas as épocas, as estruturas e os processos desta tarefa de pensar soluções foram fortemente moldados pelas tecnologias disponíveis. O texto de hoje reúne uma série de possibilidades para melhorar a inteligência coletiva do governo na próxima década, segundo Geoff Mulgan, executivo-chefe da Nesta.

Conscientização: O poder (e os desafios) dos dados

A observação precisa do mundo sempre foi um desafio para os governos. Como saber o número de pessoas nas cidades e aldeias ou a escala da atividade econômica. No passado recente, as respostas incluíam estatísticas (como o PIB); pesquisas; agências de inteligência e vigilância, todos oferecendo fatos e dados para ajudar os governos a decidir sobre ameaças e oportunidades, e quais questões que merecem atenção. Hoje, um fluxo de inovações está melhorando a observação: novas formas de dados; sensores que permitem novas formas de regulação (por exemplo, qualidade do ar); agregação automatizada de dados, como padrões de movimento de cidadãos retirados de telefones celulares; dados gerados por cidadãos; e ferramentas de coleta de dados web (por exemplo, para entender as atividades econômicas emergentes). O maior desafio agora para os governos é como lidar com esse volume infinitos de dados.

O poder da computação pode ajudar os governos a analisarem padrões. Algumas ferramentas, como algoritmos preditivos, que já são usados ​​há muito tempo na área da saúde (para prever se um paciente chegará ao hospital) e na justiça criminal (qual a probabilidade de um criminoso reincidir) são apenas alguns exemplos. Entretanto, previsões de escala maiores têm sido muito menos confiáveis, e as previsões econômicas continuam problemáticas como sempre. Para lidar com este volume de dados, os governos podem devem olhar para algumas oportunidades:

A distribuição de financiamento para soluções de impacto: Já falamos anteriormente sobre as oportunidades do financiamento aleatório para inovação. Um sistema alternativo para escolher quais projetos financiar está cada vez mais em discussão dentro da comunidade acadêmica. A ideia é usar um sistema parcialmente aleatório, onde as propostas poderiam ser divididas em três categorias – uma categoria de topo, ou seja, que normalmente recebem financiamento; uma categoria de fundo, que nunca recebem financiamento; e uma categoria intermediária, onde o financiamento é atribuído por sorteio.

Buscar mais feedbacks: Uma série de inovações estão sendo testada em todo o mundo para garantir um melhor engajamento público e a busca por feedbacks qualificados. Na Europa, plataformas como a D-Cent usa soluções de blockchain para permitir que o público acompanhe e contribua em todas as etapas de um projeto. Nos EUA, as mídias sociais já foram usadas como plataforma para feedback. No entanto, este deve ser um dos maiores desafios, visto que os métodos atuais ainda estão longe de ser uma solução definitiva.

Acesso a fontes mais diversas de inteligência: Plataformas de crowdsourcing permitem que os governos tenham acesso a diferentes especialistas de forma compartilhada, com o objetivo de desenvolver soluções compartilhadas e diversificadas.

Mais empatia: Empatia tem sido a palavra dos últimos anos e não é sem motivos. A maioria dos erros cometidos por governos derivam de alguma falta de empatia. Além disso, esta capacidade é um dos principais pontos do Design Thinking, abordagem em alta no cenário dos serviços públicos.

Mais criatividade: Os governos precisam buscar ideias diversificadas e melhores soluções. Prêmios de desafio; plataformas de crowdsourcing; laboratórios e aceleradores podem ser soluções para impulsionar a criatividade no setor público.

Mais memória: Os governos sempre foram construídos em torno de arquivos, no entanto, essa tonelada de papéis têm se tornado obsoleta. Arquivos digitais e inteligentes permitem que o setor público “lembre” melhor e aprenda com o passado. Essa qualidade é uma das necessidades inerentes para o incentivo da digitalização do setor público.

Créditos: Imagem Destaque – Por PhuShutter/Shutterstock