Recentemente falamos muito sobre governo 4.0, 5G e soluções de IoT, entretanto os desafios ainda são grandes. De acordo com a União Internacional de Telecomunicações (ITU, em inglês), agência da ONU especializada em tecnologias de informação e comunicação, cerca de metade da população mundial ainda não estará conectada à internet no fim de 2019, ou seja, cerca de 3.8 bilhões de pessoas seguirão desconectadas e “incapazes de se beneficiarem dos principais recursos sociais e econômicos do nosso mundo digital em expansão.” Com o objetivo de diminuir essa desigualdade digital, durante a Reunião Anual de 2018 do Fórum Econômico Mundial em Davos, a Comissão de Banda Larga para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas apresentou sete metas ambiciosas até 2025:

  1. Todos os países devem ter um plano ou estratégia nacional de banda larga financiada, ou incluir a banda larga em sua definição de acesso universal e serviços;
  2. Os serviços de banda larga de nível básico deverão ser acessíveis nos países em desenvolvimento, com menos de 2% do rendimento nacional bruto mensal per capita;
  3. A penetração da banda larga por internauta deve chegar a: 75% em todo o mundo, 65% nos países em desenvolvimento e 35% nos países menos desenvolvidos;
  4. 60% dos jovens e adultos devem ter alcançado pelo menos um nível mínimo de proficiência em habilidades digitais sustentáveis;
  5. 40% da população mundial deveria estar usando serviços financeiros digitais;
  6. A desconexão das micro, pequenas e médias empresas deve ser reduzida em 50%, por setor;
  7. A igualdade de gênero deve ser alcançada em todas as metas.

Outro desafio em levar conectividade para toda a população mundial é o idioma. Segundo Juan Ortiz Freuler, membro do World Wide Web Foundation, e a revista Wired, “aproximadamente 5% do mundo falam inglês em casa, mas cerca de 50% da web é em inglês.”

Apesar da banda larga não estar presente em muitas localidades, segundo o relatório 2017 da GSMA, já existem mais de 5 bilhões de smartphones e, exceto na África Subsaariana (44%), a penetração desses aparelhos está acima de 50%. Veja bem, estamos falando de smartphones, isso não quer dizer que não existam aparelhos celular mais simples. É neste cenário que entra o SMS e serviços de impacto social que utilizam este meio.

Na África Central, por exemplo, a GiftedMom tem impactado a vida de mais de 3 mil grávidas. O sistema, desenvolvido pela empresa camaronesa (país onde apenas 1 em cada 5 mulheres visitam o médico durante a gravidez), é uma plataforma móvel de saúde para mulheres que vivem em regiões rurais. A plataforma funciona como uma porta de entrada entre grávidas e serviços médicos especializados, incluindo acompanhamento pré-natal, por meio de notificações via SMS e uma taxa única de US$ 1.

No Brasil, a situação é um pouco mais confortável. Apesar da ausência de investimentos em infraestrutura (atualmente existe um projeto de lei em andamento – PL nº 79/2016 – que visa incrementar este cenário), segundo a Anatel, desde 2018, cerca de 94% da população já possui cobertura 4G. Além disso, o Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou na última quinta-feira (13/6), o Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT). Com o objetivo de ampliar o acesso à banda larga no Brasil, por meio da coordenação de esforços e investimentos, entre os setores público e privado, visando a expansão de fibra óptica e o aumento da cobertura 3G e 4G em áreas isoladas. Entre as iniciativas estão:

  • Expandir a cobertura de celular em 3G e 4G;
  • Instalação de rede cabeada de alta capacidade nos municípios atendidos por rede de transporte avançada, mas que o usuário só tem acesso a velocidade média de 5 Mbps (existem 2.513 cidades cuja velocidade média da internet é de apenas 5 Mbps);
  • Implementar a tecnologia 4G para todas as sedes municipais. Atualmente, o 4G está disponível apenas em municípios com mais de 30 mil habitantes. Existem 1.405 cidades que não têm acesso à 4G, o que soma 11 milhões de habitantes.

Por fim, vale ressaltarmos que, por mais que o cenário Brasil seja – até de certa forma – tranquilo, desenvolver projetos com impacto social e que utilizem plataformas digitais ainda precisam ser pensados para um público que está desconectado. Afinal, quando se fala em escala, deve-se levar em conta todos os públicos, até mesmo aqueles que estão fora das redes. E eles representam 50% da população mundial.