É necessário investir mais e melhor em jovens e adolescentes, aponta UNFPA

A América Latina e o Caribe têm, hoje, aproximadamente 165 milhões de pessoas entre 10 e 24 anos de idade, de um total de 658 milhões. Isso significa que uma em cada quatro pessoas da região é jovem. No caso do Brasil, são 49 milhões de pessoas jovens e adolescentes, cerca de 30% do total. Investir nesta população, garantir que tenha acesso à saúde, incluindo a saúde sexual e reprodutiva, à educação e ao mercado de trabalho é investir no futuro e em sociedades mais produtivas, é o que aponta a publicação do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA – agência de desenvolvimento internacional da ONU que trata de questões populacionais.) – disponível em espanhol e para download neste link.

Intitulado “165 milhões de razões: um chamado ao investimento em adolescentes e jovens na América Latina e no Caribe”, o documento faz um chamado global para todas as pessoas, governos e organizações acreditem no potencial da juventude e permitam o alcance de seus direitos e de sua plena capacidade.

O exercício dos direitos das pessoas jovens e adolescentes são fundamentais para o Programa de Ação da Conferência Internacional de População e Desenvolvimento (CIPD), assinado por 179 países em 1994, e para o Consenso de Montevidéu sobre População e Desenvolvimento, que veio depois. O Programa de Ação reconhece que a realização desses direitos e o acesso pleno em saúde sexual e reprodutiva só ocorrerão por meio do empoderamento de todos os setores da sociedade, inclusive adolescentes e jovens. Todo indivíduo tem a oportunidade de viver uma vida sem discriminações, violências e livre da pobreza.

O documento da UNFPA também mostra que os adolescentes e jovens têm nível educacional maior, mais acesso à tecnologia e são conscientes de seus direitos. Entretanto, muitos ainda têm suas possibilidades de sucesso negadas, com obstáculos que vão desde as poucas perspectivas de emprego (a taxa de desemprego juvenil na região é de 19,5%), às dificuldades de acesso ao ensino médio — apenas 59,4% das pessoas entre 20 e 24 anos concluíram esta etapa de educação — e ao alto índice de gravidez não intencional na adolescência. A taxa de gravidez na adolescência é de 62 a cada mil adolescentes entre 15 e 19 anos na América Latina e Caribe. Mesmo índice do Brasil.

Além disso, as pessoas jovens são vítimas de violência e de emergências humanitárias que incluem a migração forçada. O documento aponta que 25% das mortes de jovens rapazes ocorridas na região são por homicídios. E aproximadamente 28 milhões de pessoas da América Latina e Caribe vivem em países distintos daquele em que nasceram.

Outro fator preocupante é o desconhecimento e a disseminação em larga escala, especialmente nas redes sociais e na internet, de informações falsas, confusas e conflitantes. “Os jovens também são alvos de informações imprecisas, comumente disseminadas de forma irresponsável na internet, e isso é uma barreira. Jovens com pleno acesso e entendimento da informação, serviços e insumos em saúde, inclusive saúde sexual e reprodutiva, fazem escolhas mais conscientes e desenvolvem habilidades para a vida que contribuem para sociedades mais prósperas”, acrescenta a representante auxiliar do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, Júnia Quiroga.

Permitir que as pessoas jovens exerçam seus direitos passa por garantir saúde e direitos sexuais e reprodutivos e equipá-las com informações válidas, combatendo fake news, permitindo que elas tomem decisões informadas sobre seus corpos e suas vidas e que participem do desenvolvimento completo de suas sociedades. Só assim será possível alcançar seu pleno potencial.

Vale ressaltar que, com o futuro em jogo, os jovens representam uma força importante para o avanço na implementação da Agenda 2030 em diferentes áreas. A participação de jovens é essencial para a realização dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Por fim, o documento da UNFPA traz 10 ações a serem aplicadas neste cenário:

  1. Não deixe nenhuma pessoa adolescente ou jovem para trás;
  2. Garantir que todas as pessoas possam terminar o ensino médio;
  3. Apoiar o emprego dos jovens;
  4. Abrir mais espaço para o engajamento e participação;
  5. Garantir o acesso universal a serviços de saúde sexual e reprodutiva integrados e de alta qualidade;
  6. Reduzir a gravidez não intencional na adolescência;
  7. Proporcionar uma educação sexual abrangente e adequada à idade;
  8. Prevenir a violência baseada em gênero contra mulheres e meninas;
  9. Acabar com o casamento precoce e forçado e uniões de menores de 18 anos;
  10. Garantir a paz e a segurança para adolescentes e jovens.

Área 21: Investindo nos jovens e o adolescentes

Recentemente o nosso projeto Área 21, foi a única instituição brasileira a receber uma menção honrosa na categoria Educação, ao lado de outras organizações como Intel, Mastercard e Udacity, no prêmio “World Changing Ideas 2019.” O projeto tem como foco central trabalhar as competências do século XXI (competências socioemocionais), por meio de metodologias de aprendizagem inovadoras, baseadas em cultura maker, projetos, gamificação e Design Thinking com jovens em situação de alta vulnerabilidade social,incentivados a criar e buscar novas habilidades para a sua vida e para o mundo do trabalho.

Ao todo, em seus 2 anos de atuação, no Instituto Ana Rosa e no Centro Educacional Assistencial Profissionalizante (CEAP), ambos localizados em São Paulo, a Área 21 já impactou cerca de 1.000 jovens. Conheça mais sobre o projeto no podcast abaixo e no texto “Área 21: Tellus é a única brasileira no ‘World Changing Ideas 2019’.”