Desenvolvimento e qualidade de vida em prol da população idosa

Com os avanços da medicina e a importância da qualidade de vida em foco, estamos vivendo mais e, pela primeira vez na história, temos “mais avós do que netos.” Segundo a ONU, atualmente são 705 milhões de idosos no mundo contra 680 milhões de crianças de 0-4 anos, e esse número deve aumentar. Até 2050, a população idosa será o dobro da população mundial de crianças. Reflexos da melhora na saúde e o aumento da expectativa de vida, mas também da redução do índice de natalidade. Segundo o Banco Mundial, em 1960, a taxa mundial de fecundidade era de quase cinco filhos por mulher e a expectativa média de vida era de 52 anos. Atualmente, esse índice caiu para menos da metade, 2.4 por família, e expectativa de vida média no mundo já ultrapassa os 72 anos.

No Brasil, segundo o IBGE, em 2050, a maior parcela da população terá entre 45 e 64 anos. Os idosos (65 ou mais) representarão quase 22% da população brasileira. Para efeito de comparação, no mesmo período, a projeção é que os jovens (pessoas até 14 anos) não ultrapasse os 16% da população. O gráfico abaixo mostra as projeções do IBGE até 2060 e a conclusão é clara, estamos envelhecendo.

Projeção para 2050: Um mundo adaptado para uma população envelhecida

Nas projeções para 2050/2060, a forma como conhecemos o perfil da população idosa também irá se transformar. Embora essa faixa etária seja considerada menos “tecnologicamente experientes” do que as gerações mais jovens, já agora, eles estão se tornando mais conectados do que nunca. Em 2060, a Geração Z, os primeiros nativos digitais da história, serão idosos e isso desconstrói totalmente a visão que os mais velhos não estão acostumados com um mundo conectado.

No entanto, assim como as crianças, a população idosa também necessita de um mundo adaptado. Ser um nativo digital não impede que a idade traga problemas de visão, locomoção e outros desafios típicos do avanço do tempo. No texto “Projeto +60: Criando um serviço cultural para o público idoso na biblioteca de São Paulo”, explicamos como, por meio do Design Thinking, o projeto do Tellus ressignificou uma biblioteca em São Paulo, transformando o espaço em um local de serviços culturais para o público com idade acima de 60 anos. Com oficinas de experiência empática, onde os participantes puderam sentir na pele a experiência do idoso na biblioteca, foram coletados insights e entendimento do serviço em outra perspectiva, sob a ótica do idoso.

Empatia e a abordagem do Design Thinking

A oportunidade de se colocar no papel do idoso permite que os designers construam soluções que realmente atende as necessidades do público. Segundo Anne Murphy, do Conselho de Tecnologia da Forbes, “ao projetar produtos para idosos, é essencial que as empresas levem em conta os desafios que sua base de clientes precisa transpor todos os dias. Os desenvolvedores frequentemente perdem de vista o que este público realmente precisa; eles devem se concentrar nos próprios idosos. Sejam funções sensoriais, como visão ou audição, habilidades motoras ou alterações cognitivas. Os desafios relacionados à idade são um fator importante quando os idosos tomam decisões sobre a tecnologia.”

Ela completa “[observe] o declínio das habilidades motoras, por exemplo. Crie o hardware para o seu dispositivo com recursos corrigíveis – um teclado modificado, botões grandes ou alças no próprio dispositivo. As equipes de design e produto devem priorizar funções como tamanho de fonte, leitores de tela e sintetizadores de fala (…). Ao desenvolver produtos para o público com 65 anos ou mais, lembre-se de que não é uma solução que funciona para todos. Ao longo dos anos, várias tecnologias inovadoras nesse mercado surgiram e falharam ao se conectar com o público-alvo. As tecnologias são de ponta, mas parecem ser criadas por equipes que têm pouco entendimento do mercado sênior.”

No cenário público, o desenvolvimento de soluções não pode ser diferente. O Brasil está passando uma das grandes mudanças em sua população e precisaremos, muito em breve, reformular muitos serviços públicos. De soluções mais lógicas, como, por exemplos, a mobilidade para a população idosa dentro de prédios públicos, até soluções mais criativas, que se adaptem ao cotidiano desta nova antiga população.

Projetos do Tellus pela melhoria na qualidade de vida dos idosos

Por meio da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social de São Paulo (SEDS), o Conselho Estadual do Idoso e a iniciativa privada, o Instituto Tellus está desenvolvendo dois projetos inovadores visando contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população idosa.

“Parcerias com organizações da sociedade civil, como as que estamos celebrando neste dia, são o caminho mais moderno, ágil e democrático de gestão pública para garantir que tais objetivos sejam alcançados”, afirma a secretária de Desenvolvimento Social, Célia Parnes.